Estrategia redes associativistas

Estratégia para redes associativistas – o que o mercado nos ensina

O Brasil já conta com quase 1.000 redes associativas de pequenas e médias empresas (PMEs) empalhadas pelo território nacional. As redes de PMEs são iniciativas de cooperação que usam a força da união para tornar pequenas empresas tão competitivas e fortes no mercado quanto as grandes corporações. As empresas do mesmo nicho conseguem se fortalecer à medida que se unem para dividir espaço, realizar compras em conjunto, promover feiras do seu ramo, entre outros eventos e ações.

Um dos maiores desafios das redes colaborativas é, ironicamente, a colaboração. O conceito dessas redes exige que todas as partes estejam envolvidas e comprometidas com os ganhos coletivos. O comportamento de cada um dos sócios, ou indivíduos, afeta o resultado de todos os colaboradores. Querer investir numa rede de negócios ou na participação em uma já existente pressupõe aceitar essa relação de interdependência. A dependência mútua é uma forma inovadora de pensar dentro do mundo dos negócios, que culturalmente é bastante individualista. Adriano Dienstmann, consultor organizacional e palestrante em desenvolvimento de gestão, além de diretor na Redexpert, fala sobre isso: “A sociedade e o mundo dos negócios privilegiam o individualismo e a competição. O acirramento da concorrência desafia os empresários a adotarem estratégias colaborativas para sobreviver, e transpor as barreiras culturais se tornou um dos maiores desafios da cooperação interorganizacional”.

Competitividade e força

A grande verdade é que vale a pena deixar de lado as breves competições individuas entre pequenos e médios empreendedores para que, unindo competências e recursos, os pequenos empresários estejam aptos a enfrentar a concorrência com os grandes grupos econômicos e entrar na corrida pela liderança do segmento no mercado. Ao agirem em bloco e de forma coordenada, os pequenos negócios ganham força no jogo da competitividade. “Acreditamos que a cooperação é uma estratégia inteligente que gera competitividade, desenvolvimento pessoal, social e econômico para os pequenos negócios” reitera Anderson.

Douglas Wegner, professor doutor em administração e também colaborar da Redexpert, esteve na Alemanha no último mês de abril e garante que por lá as redes de negócios já possuem muito força e organização. Ele visitou a Federação Alemã de Redes e Centrais de Negócios (Der Mittelstandsverbund) e também três das principais centrais de negócio do país germânico, dos setores de materiais de construção, eletroeletrônicos e móveis & utilidades domésticas. Todas as três são centrais de negócios gigantescas, com centenas de membros e milhares de pontos de venda na Alemanha e em países vizinhos, que contam com muita estrutura e profissionalismo. Os gestores destas redes confirmam a convicção de que “a união faz a força” e que as redes são uma importante estratégia para o mercado de negócios no mundo todo. No Brasil também já temos alguns exemplos bem-sucedidos e em ascendência. A seguir, alguns exemplos de redes associativas e ações que elas vêm utilizando para ganharem destaque no mercado.

Destaques de ações no mercado nacional

Os formatos que as redes colaborativas escolhem para se associar podem ser os mais diversos possíveis, variando muito do ramo ou setor onde elas atuam. Os exemplos mais comuns são feiras, centrais de compras e divisão coletiva de espaços. Abaixo vamos mostrar destaques de sucesso de redes no mercado brasileiro e quais são as estratégias e ações que essas empresas escolheram para ganhar espaço e crescimento.

Lojas cooperativas

A Endossa, primeira loja cooperativa do Brasil, situada em São Paulo, é um modelo pioneiro que vem fazendo sucesso no país. A loja aluga espaços e prateleiras em sua loja para que pequenos empresários possam expor seus produtos. A vantagem é que essa é uma alternativa rentável para os que não dispõe dos recursos para investir num grande espaço próprio e com tanta popularidade. Mais de duas mil marcas estão na fila de espera (que pode levar até 2 anos) para ter seu “lugar ao sol” dentro da Endossa, segundo matéria publicada na Revista Varejo S.A. Os contratos são mensais e podem ser estendido se o expositor atingir as metas de venda. Cada nicho, a depende do tamanho e localização, custa de R$ 140,00 a R$ 900,00. A empresa já conta com seis unidades distribuídas no Brasil e oferece para os expositores toda a infraestrutura necessária, inclusive ações de marketing, meios de pagamento e até vendedores.

Laboratórios de co-working

No ABC Paulista, a The Cool Lab Store, é um modelo de espaço compartilhado, comportando área de co-working, cozinha colaborativa e lojas. Em 1 ano o local já abriga 75 marcas que dividem os custos com aluguel e demais contas. Apesar disso, as marcas têm independência para atuarem de forma individual e realizarem sua própria divulgação. Além das óbvias vantagens econômicas, esse tipo de união também garante uma rede de contatos muito maior para cada uma das empresas.

Feiras

Típicos da categoria de móveis, os show-rooms atraem muitos visitantes e compradores. Pensando nisso, a RedLar realizou um Megafeirão, que contou com todos os tipos de móveis da rede, valores diferenciados e opções de parcelamento exclusivas. Durante os 4 dias, mais de 2 mil pessoas visitaram o megafeirão e cerca de 50% dos visitantes comprou algum produto. Isso fez com que eles atingissem 20% da meta mensal de toda a rede em apenas um evento. O evento também serviu para aumentar o contato com a indústria de móveis, encurtando os laços entre empresários e fornecedores. Além disso, a feira também tem a vantagem de aumentar a exposição da rede, que agora atingiu mais consumidores e que poderão visitar as próprias lojas para realizarem compras que não fizeram no dia. A experiência foi tão valiosa que a segunda edição já está sendo cogitada para 2018.

Central de negócios para compras

A mesma rede, RedLar, se uniu recentemente a outras redes de móveis brasileiras (Casa Bem, Toklar, Quero Bahia, Toda Casa e Rede Nordeste) para formarem uma central de negócios e comprarem juntas produtos e serviços. A “rede das redes” ganhou o nome de Rede Brasil. O objetivo, além das compras coletivas, é focar em parcerias de serviços, como adotar os mesmos serviços na área de finanças. A Rede Brasil conta com uma diretoria, formada por um membro de cada rede que a compõe, além de uma diretoria de compras. Ademir Deitos, presidente da RedLar, diz que “assim identificamos as necessidades de cada rede e fazemos as melhores negociações”. O alinhamento com fornecedores e o planejamento estratégico da Rede Brasil está sendo estruturado, assim como as demais ações, e Deitos afirma que está sendo uma experiência muito positiva.

Caberá a cada rede entender e mapear as ações que melhor se encaixam a sua realidade ou meta. Mas, vale ressaltar que o mercado possui bons exemplos e esses, podem ser uma vontade inspiração. No site do Área Central você pode conhecer outros cases. 

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