cooperativismo

Cooperativismo – Saiba quais são as novas tendências para este modelo de negócio

Sabe-se que o mundo dos negócios – assim como a própria sociedade – estão alicerçados numa cultura de competição e individualismo. Uma das definições de individualismo, segundo o dicionário, é “doutrina moral, econômica ou política que valoriza a autonomia individual na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais”. Por outro lado, quando procuramos por cooperativismo, temos que é “a doutrina que preconiza a colaboração e a associação de pessoas ou grupos com os mesmos interesses, a fim de obter vantagens comuns em suas atividades econômicas”. Dessa forma, o associativismo cooperativista tem como fundamento o auxílio mútuo, segundo o qual aqueles que se encontram numa mesma situação (geralmente desvantajosa, em termos de competitividade) conseguem garantir crescimento e sobrevivência através da soma de esforços. Saiba aqui como essas redes cooperativistas atuam, quais vantagens a associação garante aos empreendedores e as novas formas de organização deste modelo!

Vencendo a concorrência e ganhando competitividade

É o acirramento da concorrência que desafia gestores a adotar estratégias colaborativas a fim de diminuir as diferenças alavancar no mercado. Segundo Adriano Dienstmann, consultor organizacional, palestrante em desenvolvimento de gestão e diretor na Redexpert, a cooperação é uma estratégia inteligente que gera competitividade, desenvolvimento pessoal, social e econômico para os pequenos negócios. De fato, do ponto de vista econômico, o cooperativismo atua no sentido de reduzir os custos de produção, obter melhores condições de prazo e preço, edificar instalações de uso comum e, até mesmo, interferir no sistema em vigor, possibilitando soluções alternativas para os métodos tradicionais do mercado.

O conceito de rede está intimamente ligado à dependência mútua. A natureza social das redes exige que as partes envolvidas estejam comprometidas com os ganhos coletivos. É essa preocupação e atuação em conjunto que garantem maior competitividade, gerando grande desenvolvimento para os envolvidos e atingindo resultados positivos que irão reverberar para todos os associados. Adriano Dienstmann simplifica essa questão: as redes de controle do capital (franquias, consórcios, redes patrocinadas) e as de cooperação (gestão horizontal e compartilhada) permitem que os pequenos negócios, ao agirem em bloco e de forma coordenada, ganhem força. Unindo competências e recursos, elas se habilitam a enfrentar a concorrência dos grandes grupos econômicos.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgou uma pesquisa intitulada “Jovens Empresários Empreendedores” que, dentre outros resultados, indica que dois em cada três jovens brasileiros pretendem empreender nos próximos anos. Esse é um dado muito interessante. Porém, ao investigar a motivação destes jovens em ter seu próprio negócio, temos um claro retrato do individualismo no mundo dos negócios: 64,5% dos entrevistados relevam que o que os motiva a abrir uma empresa é, simplesmente, não ter um chefe. Essa é uma visão um pouco estereotipada, que vai na contramão da atual tendência de mercado, que é justamente fomentar uma rede e atuar com parcerias e sócios. Estar disposto a criar a participar de uma rede interorganizacional aumenta as chances de desenvolvimento e bons resultados, especialmente para pequenos empresários; mas isso também não significa que você precise abrir mão completamente da sua independência como empresário. Alternativas que unem as duas coisas, como ter uma empresa própria e, ainda assim, contar com as vantagens de uma rede, já existem e começam a ter cada vez mais investimentos. Falaremos sobre isso a seguir.

Novos modelos de negócio cooperativo

Novos modelos de Cooperativismo

Lojas próprias, franquias e membros compradores: esses são os novos caminhos que as redes alemãs optaram por seguir para acelerar o crescimento e fazer frente aos grandes concorrentes, e podem ser boas alternativas para pensarmos nacionalmente.

As centrais de negócio ou redes cooperativas no Brasil se desenvolveram como associações sem fins lucrativos, procurando atrair novos membros individuais para ampliar seus ganhos e a oferta de serviços. Essa, como já vimos, é uma estratégia muito bem-sucedida para muitos empreendedores; mas, segundo Douglas Wegner (professor doutor em Administração), pode enfrentar dois grandes desafios limitantes:

  • Não haver mais bons lojistas independentes com as características desejadas pela rede;
  • Atrair e integrar novos associados se tornar um processo demasiado longo, que implica em expansão lenta.

Por isso, a importância de se pensar em novos formatos e modelos de negócio de redes cooperativas, que podem se adaptar de melhor maneira em alguns segmentos de mercado ou a longo do tempo.

  • Lojas próprias

Esse modelo tem a vantagem de possibilitar a presença da rede (até como marca) em uma cidade ou região que não conta com lojistas independentes que poderiam se associar, sendo que no modelo tradicional é necessário que existam empresários do mesmo segmento atuando com uma certa proximidade. Futuramente, dependendo dos resultados atingidos, a rede pode vender a loja própria para algum dos seus associados ou para um investidor que tem interesse em fazer parte do grupo. Uma outra vantagem interessante da Loja Própria é que a rede pode testar conceitos e linhas de produtos neste local, antes de estendê-los a todos os associados.

  • Franquias

Mais conhecido, a principal vantagem do Sistema de Franquias está na possibilidade de acrescentar novos tipos de negócios à rede, que não geram concorrência com a atividade-fim dos associados. Por exemplo, uma rede do setor de móveis e eletrodomésticos pode criar uma franquia de lojas de roupas de cama, mesa & banho. O segmento diferente do original, mas irá contribuir na geração de ganhos e na oferta de serviços.  Outro exemplo: uma rede de materiais de construção pode criar um sistema de franquias para lojas de materiais elétricos e instalações.

  • Membros Compradores

Nesse modelo, a empresa interessada na rede participa dela utilizando somente os benefícios da compra conjunta, por exemplo, mas não adota a marca padrão do grupo. Esse membro estará fortalecendo a rede ao agregar volume de compras ao grupo, embora não esteja ajudando a crescer e fixar a marca no mercado. Com o tempo, este empresário pode se transformar num associado, adotando então o padrão visual e gerencial do grupo. Esse é um modelo que tende a crescer muito, especialmente para os negócios que não possuem um valor inicial de investimento para se adequar a rede logo no início.