Centrais de Negócios

Como se preparar para a sucessão no negócio

A sucessão, especialmente em negócios familiares, pode ser um problema. Dentro das redes associativistas isso pode ser uma questão ainda maior, visto que envolve também outras empresas e pessoas. A questão da sucessão familiar nas lojas ligadas às redes empresariais é ampla e muitas quebram a cabeça porque não se preparam com antecedência para esse momento. Para evitar transtornos, as redes já precisam ter traçados seus planos de sucessão. Entenda como isso funciona!

Sucessão Familiar

Quando há herdeiros dispostos a assumir o negócio, tudo é mais simples se a rede implantar um programa de sucessão. A intenção é que os herdeiros (filhos, parentes ou até pessoas de confiança) tornem-se sócios do associado e sejam preparados para assumir a unidade. Neste processo é realizado um trabalho intenso de desenvolvimento de competências, que permitem que o negócio continue se desenvolvendo e se perpetue. Não havendo essa possibilidade, a loja deste associado precisa se manter em boas condições, para que o negócio torne-se um ativo para uma venda futura.

Centrais de NegóciosO processo sucessório em uma empresa familiar deve ser planejado levando em consideração as particularidades de cada grupo familiar e empresarial. Deve ser iniciado com a presença do fundador da empresa e com a participação ou o aval de todos os envolvidos. É preciso que haja, durante todo o processo, um clima de diálogo para tratar dos conflitos já existentes e dos que podem surgir. Os herdeiros devem ser conscientizados de que não vão herdar uma empresa, mas uma sociedade composta por pessoas que não se escolheram. Assim, é preciso separar claramente os conceitos de família, propriedade e empresa.

Etapas para uma sucessão familiar

Fundador presente: A melhor sucessão é aquela que tem o fundador no comando, pois ele tem o conhecimento profundo relacionado à empresa que construiu. Ele é a pessoa ideal para auxiliar na escolha de seu sucessor, bem como para treinar e desenvolver o escolhido em suas novas atribuições. A condução deverá ser planejada pelo fundador, quando ainda estiver bem e trabalhando perfeitamente.

A segunda geração já deverá atuar na empresa: Os sucessores que forem herdeiros devem ter uma vivência consolidada na empresa da família. Um grande erro é colocar o sucessor na empresa no momento de assumir um cargo de gestão. É necessário conhecer todas as áreas de empresa, inclusive colocar a “mão na massa” e desenvolver trabalhos operacionais. Conhecimento se consolida com a vivência.

Conselho de Administração: O Conselho de Administração é o local onde se definem as estratégias para a empresa. No caso das empresas familiares, ele tem o objetivo também, de estabelecer regras, normas de conduta e prestação de contas, promovendo assim, a transparência das ações corporativas. É necessário montar um conselho e alocar a família nele.

Prepara-se um sucessor: O sucessor deverá ser qualificado tecnicamente para assumir a empresa, deverá ter também forte vínculo com os valores do fundador, pois tais valores determinam a cultura da empresa e, necessariamente, estabelecem a forma pela qual a organização se relaciona com o mercado. Este é o fator preponderante para a perpetuação do negócio de família. Ou seja, o sucessor deve ter o perfil do cargo e da empresa.

Atenção! Destque para a mudança cultural

O Consultor Domingos Ricca, especialista em Governança Corporativa, Profissionalização e Preparação para Sucessão de Empresas Familiares diz que “é importante ressaltar a ampliação do papel das mulheres herdeiras neste cenário das empresas familiares. Elas têm tomado as rédeas de grandes corporações, e muitos fundadores não consideram mais a hegemonia masculina na condução dos negócios. Esta, definitivamente, é uma mudança cultural a ser levada em conta!”

Variáveis que afetam o processo de sucessão e podem se tornar fontes de conflito:

  • Quem será o novo responsável pelo comando da empresa?
  • Quando acontecerá a transição?
  • Como será o processo de sucessão?
  • Quem pode e quem não pode fazer parte da empresa?
  • Qual o limite para a admissão de membros da família na empresa?
  • Como será exercida a autoridade?
  • Que preparação será necessária para o processo de transição?
  • O que será feito, se o processo sucessório não for bem-sucedido?
  • Quem pode possuir cotas da empresa?
  • Como serão avaliados e pagos os membros da família?
  • O que acontecerá em caso de divórcio ou falecimento?
  • Que responsabilidades há em relação à comunidade?
  • Que responsabilidades há em relação aos funcionários mais antigos?
  • Que responsabilidade há em relação aos outros membros da família?

Perguntas e Respostas

– Qual a principal dificuldade no processo de sucessão de uma empresa familiar?

O principal problema está calcado na dificuldade de transferir o carisma e a liderança do fundador para seus herdeiros. Assim, deverá assumir os negócios aquele que mais se vincular com o modelo de atuação desenvolvido pelo fundador.

– Como fazer para separar os assuntos familiares dos negócios?

A formação do Conselho de Administração deve resolver este dilema. As discussões de família envolvendo os negócios pertencentes a ela deverão ser realizadas e mantidas nas reuniões do Conselho. Este é o lugar. Não se pode transferir tais discussões para os corredores da empresa, nem tão pouco para os encontros familiares informais.

– Como aliar a “tradição” da gestão do pai com a “modernidade” trazida pela nova gestão (dos filhos)?

Centrais de NegóciosÉ importante manter os padrões que deram origem a empresa, baseados na dinâmica e na visão do fundador. Esse é o alicerce que determina quais são os valores da empresa e, consequentemente, sua base cultural. Com relação aos valores da empresa não há como mudar – este é o padrão em que a empresa foi consolidada e é como o mercado a reconhece. Porém, fica aberto para as novas gerações modernizar processos, produtos, e a gestão de pessoas.

– Como fazer quando há mais de um filho que ficará responsável pelo controle da empresa?

Cada um deverá ter funções e responsabilidades específicas vinculadas ao seu cargo e, não se pode, em hipótese alguma, invadir o espaço alheio e provocar brigas pelo poder.