Central de Negócios

Conheça o ciclo de vida das redes

Na última década foram criadas entre 800 e 1.000 redes empresariais, em praticamente todos os estados do Brasil. Por um lado, esse número revela que muitas empresas apostam na cooperação como uma estratégia que pode beneficiar a competitividade do seu negócio. Porém, em um intervalo de quatro anos, cerca de um quarto das redes mapeadas pelo SEBRAE deixou de existir ou ficou inativa, revelando um alto índice de insucesso. Em uma análise mais detalhada podemos perceber quais são as dificuldades de muitas redes para continuar ativas no mercado. O professor Douglas Wegner criou uma metodologia que define os ciclos de vida de uma rede. Vamos conhecer um pouco mais sobre ela?

Definição do ciclo de vida de uma rede

A grande parte dos especialistas concordaram que as redes de empresas são caracterizadas por um início (criação e formatação), um meio (desenvolvimento e consolidação) e um fim (declínio e eventual encerramento da relação cooperativa). Há também uma compreensão e concordância quanto à necessidade de mudanças e renovações da rede para que seja possível mantê-la em desenvolvimento.

Ciclo de Vida Central de NegóciosPara estudar isso mais a fundo, o professor doutor Douglas Wegner Professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), criou um modelo de ciclo de vida de redes interorganizacionais constituído por seis fases: Concepção, Nascimento/Formalização, Desenvolvimento, Consolidação/Maturidade, Declínio e Dissolução. Conforme a metodologia utilizada, o grau de desenvolvimento das redes é determinado pelos: aspectos organizacionais, governança, gestão, serviços e informações e relacionais, como confiança nos gestores e associados, liderança e comprometimento.

Além dessas seis fases, os especialistas apontam que as redes passam por transformações durante o seu ciclo de vida, como condição indispensável para evitar o declínio e dissolução. Assim, uma rede somente consegue se manter na fase de Consolidação por um longo período de tempo quando promove reestruturações deliberadas nas suas atividades, mantendo o interesse dos participantes nas atividades cooperativas. A inércia, mesmo quando a rede atingiu um estágio de consolidação, pode levar à desmotivação dos empresários e ao declínio da rede.

As 6 fases de uma Rede

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1ª fase: Concepção

Empresários se reúnem para discutir possibilidades de cooperação. A governança ou as “regras do jogo” estão em fase de definição. Há alta participação e comprometimento dos empresários nas atividades propostas, em função do grau de motivação com as potencialidades do trabalho conjunto, embora alguns aguardem a geração de benefícios antes de se comprometer. Ocorrem reduzidas trocas de informações estratégicas. O nível de confiança interpessoal tende a ser baixo porque poucos se conhecem.

2ª fase: Nascimento e Formalização

A rede deixa de ser um projeto e passa a ser formalizada pelos integrantes, que definem uma diretoria, conselhos e equipes de trabalho. A governança é compartilhada e os próprios empresários são responsáveis pelas atividades. É possível que já tenham ocorrido saídas de empresários do grupo – aqueles que não se enquadraram nas exigências legais ou não concordaram com os rumos definidos para a rede. O aumento do nível de confiança interpessoal estimula maior troca de informações.

3ª fase: Desenvolvimento

 A estrutura de gestão e principais processos foram definidos e são aperfeiçoados, ocorrendo melhorias na estrutura de governança a partir da percepção dos participantes. Há grandes oportunidades de troca de informações e experiências, surgindo laços sociais fortes dentro do grupo. A rede já oferece um portfólio de serviços e os participantes passam a adotar padrões comuns como layout e identificação visual.

4ª fase: Consolidação e Maturidade

A rede profissionaliza sua gestão contratando um gestor executivo e funcionários para gerenciar as atividades. Os diretores eleitos concentram o processo decisório. A governança passa para um modelo de Organização Administrativa da Rede (OAR). Há um grupo de empresários mais comprometidos e participativos, enquanto outros usufruem dos benefícios da rede sem maior participação. Ocorre a ampliação e profissionalização da oferta de serviços aos participantes e a rede passa a operar como uma central de negócios.

5ª fase: Declínio

A falta de ajustes e aperfeiçoamentos nas estruturas, processos e governança da rede gera desmotivação dos participantes. Surgem subgrupos com interesses próprios que tentam influenciar a gestão, ocorrendo lutas internas pelo poder e espaço na gestão da rede. A maioria dos empresários prioriza ações individuais em seu próprio negócio ao invés de objetivos e ações coletivas. Ocorrem quebras das relações de confiança entre os empresários ou para com a administração da rede. Conflitos se tornam comuns e começa a ocorrer saída de participantes da rede.

6ª fase: Dissolução

Embora ainda possa existir uma diretoria, esta não consegue gerenciar a rede. Não há gestão estruturada nem oferta de serviços por parte da rede. As regras de governança não são mais seguidas. Não há mais comprometimento dos empresários e a participação nas atividades propostas é quase nula. Há presença somente dos idealizadores e fundadores da rede. A maioria dos empresários deixa a rede e permanecem somente os mais interessados na cooperação. Dificilmente será possível reverter a situação da rede e ela tende a ser extinta, deixando de existir formalmente.

Apresentação de Pesquisa no Enare

O professor Douglas Wegner apresentou no 25º Encontro Nacional de Redes (Enare) o resultado de uma pesquisa feita através de sua metodologia, que foi respondida por 77% das 441 lojas pertencentes às redes associadas a entidade Enare.

O grande número de respostas dá uma grande credibilidade ao resultado da pesquisa. Segundo o professor, ouvir os associados das centrais de negócios permite que os dirigentes identifiquem onde estão as oportunidades para melhorar a prestação de serviços e o relacionamento.

Ciclo de VidaNesta pesquisa, foi possível concluir que as redes compostas por um baixo número de pequenas empresas se destacam pela solidez dos aspectos relacionais, porém, os ganhos de escala e o compartilhamento de custos dificultam a criação de uma estrutura de gerenciamento profissional.

A pesquisa se mostrou importantíssima pois ter consciência de todos os aspectos envolvidos em cada estágio do ciclo de vida permitirá que as redes do Enare possam identificar as características deficientes e desenvolver estratégias e modelos gerenciais mais apropriadas para cada rede de negócios, de acordo com sua etapa de desenvolvimento para alcançar a consolidação.

Fonte: As informações específicas sobre a metodologia desenvolvida por Douglas Wegner foram retiradas do artigo científico “O Ciclo de Vida das Redes Empresariais: Uma avaliação do estágio de desenvolvimento de redes no Sul do Brasil”, publicado pelo mesmo em outubro de 2013, através da UNISC.